História
O município teve sua origem num povoado que surgiu no final do século XVII, como uma necessidade de apoio às expedições dos bandeirantes e viajantes na travessia do rio Paraíba em busca do ouro em Minas Gerais. Lorena era na época, um importante entroncamento de vários caminhos: o Caminho Geral do Sertão (saindo de São Paulo em direção a Lorena); o Caminho das Minas (de Lorena, passando pelo vale do Embaú em direção a Ouro Preto); o Caminho “Velho” (de Lorena até Paraty e dali, por mar, até o Rio de Janeiro) e o Caminho “Novo” da Piedade (de Lorena, por terra até o Rio de Janeiro).[5][6]
Origem do nome
O nome Lorena é homenagem ao então governador da capitania de São Paulo, o capitão-general Bernardo José Lorena (mais tarde, Conde de Sarzedas), que em 14 de novembro de 1788 assinou um decreto elevando a freguesia a vila.[7][8][9]
Inicialmente a região compreendida entre Taubaté e Lorena era conhecida pelos índios puris como Ipacaré. Após o início do povoamento, Ipacaré começou a designar uma região gradativamente menor até denominar apenas a região de Lorena. Porém os registros históricos também denominam Ipacaré como sendo um rio da região que por vezes era chamado de Pacaré, Hepacaré e Guaipacaré e provavelmente referem-se ao rio que hoje tem o nome de Taboão. Havia também a alusão de que o povoado existente na região chamava-se Guaipacaré, mas pelos que navegavam o rio, o nome dado ao porto dessa região era Hepacaré. Há ainda a referência aos nomes de Aypacaré, Aguapacaré, Goapacaré e Guapacaré, também designando a mesma região.[5]
Embora haja a menção de que Guaipacaré ou Hepacaré signifique em tupi o “lugar das goiabeiras”[5], aparentemente, a palavra mais aceitável para a designar a região seria Guapacaré: que em tupi (guâ-upa-caré) significa a lagoa torta da baixada, ou braço do rio, em referência ao braço do rio Paraíba que existiu naquela região.[5][6]
Século XVII
O povoado ou arraial que deu origem à cidade de Lorena surgiu ao redor de um porto fluvial localizado na margem direita do rio Paraíba, conhecido como Guapacaré. Deste porto, as expedições dos bandeirantes atravessavam o Paraíba até a margem esquerda e seguiam em direção aos vales do Embaú e Passa Vinte até atravessar a serra da Mantiqueira em direção a Minas Gerais.[5]
Os primeiros moradores da região desse porto, se estabeleceram ali na segunda metade do século XVII. Em 1695 ou um pouco antes, já morava na região o bandeirante Bento Rodrigues Caldeira com sua família de “mais de cem pessoas”. As “roças de Bento Rodrigues” podem ser consideradas como o embrião inicial de Lorena.[5][6]
Na época, o arraial desse porto situava-se em território da freguesia de Guaratinguetá[9] e era o último núcleo de povoamento no nordeste da capitania de Itanhaém, que posteriormente, tornou-se a capitania de São Paulo.[5]
Século XVIII
Entre os primeiros moradores, além do bandeirante Bento Rodrigues Caldeira, pode-se citar João de Almeida Pereira, seu vizinho, Pedro da Costa Colaço e Domingos Machado Jácomo que em 1705 construíram uma pequena capela dedicada a Nossa Senhora da Piedade. A capela, filial da matriz da Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá, foi construída próxima ao porto, para que os viajantes pudessem orar antes de partir para Minas Gerais ou na volta rumo a São Paulo ou ao litoral.[5][9][8]
Em 1718, por ordem de D. Francisco de São Jerônimo, Bispo do Rio de Janeiro, o povoado foi elevado à categoria de freguesia, com o nome de freguesia de Nossa Senhora da Piedade. Sendo que o seu primeiro pároco foi o padre Pedro Vaz Machado, que a governou até 1720.[5][9][8]
Uma vez criada a freguesia, os moradores demoliram a capela e construíram a nova igreja matriz, localizada no mesmo largo porém um pouco mais distante da margem do Paraíba. A matriz dá as costas para cidade e a explicação é o fato da capela original ter sido construída de frente para o rio, para “receber” os viajantes que o atravessavam, enquanto o povoado localizado na mesma margem do rio onde estava a capela só poderia se estender para trás dela.[6]
Em 1788, os moradores enviam um requerimento para governador da capitania de São Paulo solicitando a transformação da freguesia em vila. A razão para isso era que, com a prosperidade da freguesia, havia a necessidade de controlar melhor os caminhos, o fluxo de mercadorias e a população, que já havia crescido. Além disso, gerava a possibilidade de aumento de arrecadação de impostos e de homens para o serviço militar. Dessa forma em 6 de setembro de 1788, o governador defere o pedido, expedindo uma portaria.[5][6] Em 14 de novembro de 1788 é erigido o pelourinho, símbolo da autonomia municipal, e portanto nessa data, a freguesia de Nossa Senhora da Piedade foi elevada à categoria de vila, obtendo a sua emancipação política de Guaratinguetá, passando a receber o nome de Lorena, em homenagem ao governador da capitania de São Paulo, o Capitão-general Bernardo José de Lorena (mais tarde, Conde de Sarzedas).[5][9][8]
Século XIX
Em 1816, vinte e oito anos depois de criado seu município, Lorena sofre seu primeiro desmembramento: Areias se emancipava, levando consigo todas as terras hoje pertencentes a Areias, Bananal, Silveiras, Queluz, São José do Barreiro e Lavrinhas, num total de 2487 km², ou seja, uma área correspondente a dois terços da área original do município lorenense. Mais tarde, houve o desmembramento de Cruzeiro, em 1871; Cachoeira Paulista em 1880 e Piquete em 1891.[10]
Conhecida como a “cidade das palmeiras imperiais”, recebeu a Monarquia Imperial Brasileira, desde, D.Pedro I, cujo caminho esta foi para a Proclamação da Independência. Depois recebeu a visita do Imperador D. Pedro II, Princesa Isabel e seu marido, o Conde D’eu, que se hospedaram na suntuosa residência do Sr. Conde Moreira Lima.[10]
Em 1842, como punição ao envolvimento no movimento revolucionário (revoltas liberais de 1842), Lorena foi, juntamente com outros municípios (Silveiras, Areias, Queluz e Bananal), privada das garantias constitucionais e incorporada à Província do Rio de Janeiro, pelo decreto no 18 de 18 de junho de 1842. A volta à província de São Paulo se deu pelo decreto no 216 de 29 de agosto de 1843.[9][8][11]
Em 1856, a vila de Lorena foi elevada à categoria de cidade, por meio da lei provincial no 21 de 24 de abril de 1856.[9][8][12]
A primeira iluminação pública que a cidade recebeu ocorreu em 1865, com a instalação de 24 lampiões de azeite, por iniciativa do presidente da câmara, Coronel Castro Lima. Estes permaneceram por 10 anos, quando em 1875 foram substituídos por 50 lampiões a querosene.[11]
Em 1866, torna-se comarca, da qual faziam parte Silveiras e São José do Barreiro, por meio da lei no 61 de 20 de abril de 1866.[8][13]
Em meados do século XIX, durante o auge da cultura cafeeira, Lorena atingiu uma das fases mais prósperas de sua economia, tendo tido sua aristocracia do café, ali tendo vivido mais de 10 titulares do império.[8] Entre estes pode-se citar Joaquim José Moreira Lima Junior (conde de Moreira Lima), D. Carlota Leopoldina de Castro Lima (viscondessa de Castro Lima), Antônio Moreira de Castro Lima (barão de Castro Lima), Francisco de Paula Vicente de Azevedo (barão da Bocaina), Antônio Rodrigues de Azevedo Ferreira (barão de Santa Eulália).[14]